No próximo dia 1º de maio, o Brasil celebra o Dia do Trabalho em um cenário de pleno emprego, mas com um paradoxo preocupante: as vagas existem, mas os profissionais estão partindo para a autonomia por conta jornada 6x1, um modelo de gestão que remete ao século XX e que é chamado pelo especialista em vendas, Diego Maia, de a “crise do relógio”.
Com o avanço das ferramentas digitais, principalmente no varejo, o vendedor de alta performance não aceita mais regimes de trabalho inflexíveis. "É preciso entender que o profissional talentoso hoje é um gestor de comunidades. Se ele for obrigado a cumprir uma escala 6x1 sem propósito ou benefício emocional, ele migra para o mercado autônomo em 24 horas", afirma o especialista.
A possibilidade de redução das horas trabalhadas semanalmente preocupa os empresários por conta de uma eventual queda na produção, o que para eles traria prejuízos ao negócio, no entanto, o conceito de produtividade como conhecemos precisa ser rediscutido, dadas as transformações sociais e no ambiente corporativo. Alguns dos pontos a serem atualizados são:
- Performance condicionada à presença é um conceito que não reflete mais a realidade. Avaliar o vendedor pelo que ele converte e não pelas horas que passa em pé na loja permite uma visão mais fiel do desempenho;
- Liderança limitada, aquela em que o gestor cobra metas apenas no feriado afasta profissionais competentes e talentosos, que buscam oportunidades em empresas que desenvolvem as equipes;
- Inflexibilidade na carga horária assim como a obrigatoriedade do trabalho presencial full time são exigências que repelem bons profissionais, o que faz da escala 5x2 e dos regimes híbridos, diferenciais competitivos em 2026.
“Insistir sobre modelos tradicionais de gestão, desconsiderando as necessidades de bem-estar e saúde mental dos colaboradores representam mais do que nunca um grande risco para as empresas, especialmente aquelas do setor varejista. Que esse 1º de maio sirva como um alerta ao comércio: a escala de trabalho precisa ser humanizada ou o "apagão de mão de obra" virá e será permanente”, finaliza Diego.
Sobre Diego Maia: Empresário, palestrante internacional e autor de livros best-sellers na área de vendas. Diego Maia é CEO do CDPV Companhia de Palestras, a maior agência de palestrantes do Brasil e especialista em alavancagem de vendas e gestão de equipes comerciais.